Voltando a falar em Brasília como sede do grupo A (ou B, de Brasília, pode ser), o governo do DF vem trabalhando na infra-estrutura - estádios, transportes, prédios públicos, incentivos à rede hoteleira - mas nós precisamos fazer a nossa parte, pois o governo não pode resolver tudo. Meu primeiro pensamento volta-se para questão do planejamento, dos problemas que poderão suger e quais soluções poderão ser adotadas. De que problemas estou falando? Vários!, e uma discussão ampla é que será capaz de levantá-los, quantificá-los e, a partir daí, buscarmos soluções. Para dar um exemplo: atendimento à saúde. O movimento de pessoas de várias regiões do País e do mundo, afluindo a Brasília, traz doenças contagiosas, que somado aos excessos na alimentação e no consumo de álcool, tudo isso pode redundar em mais ocorrências nos hospitais públicos e particulares: Soluções imaginadas, dentre muitas outras: 1ª) fiscalização das vacinações dos viajantes; 2ª) orientações aos que chegarem via rodoviária, aeroporto e também em automóveis; 3ª) programar-se plantões/reforços nas equipes de saúde; 4ª) estabelecimento de convênios entre instituições públicas e privadas com seguros de saúde, nacionais e internacionais. Por tudo isso, planejar é muito importante, ao mesmo tempo que o planejamento é uma atividade séria e que envolve precisão nos seus métodos e nos seus resultados: planejar é preciso! devemos usar muito bem os 5 anos e meio que temos pela frente para que tudo dê certo.
Agora quero falar da minha maior preocupação quanto ao planejamento que envolverá a campanha para Brasília ser uma das cidades-sede da Copa de 2014 e cumprir seu papel da melhor forma possível: idiomas estrangeiros. Penso que os muitos prestadores de serviços que atenderão estrangeiros necessitam de um bom treinamento em idiomas estrangeiros; mas quais? A princípio a resposta parece simples e direta: espanhol e inglês. Contudo, um planejamento sério e amplo apontará com precisão quais outras línguas merecem atenção. Mas a princípio espanhol e inglês são bons investimentos. Senão vejamos: resumindo as seleções envolvidas nas copas de 2010, 2006, 2002 e 1998, os países dividiam-se, por idioma, da seguinte forma:
país onde se fala quantidade (média) *
- espanhol 6 1/3
- inglês 5 2/3
- francês 3
- português 2
- árabe 2
- alemão 1 1/2
- italiano 1
- outros idiomas 1 (cada)
Um bom trabalho de planejamento em turismo poderia indicar o afluxo de falantes de cada idioma, em retrospectiva naqueles países, mas no caso da Copa de 2014, podemos esperar um maior número de torcedores sul-americanos, falantes de espanhol, dada a proximidade dos países. Quanto aos outros, pode-se esperar que dominem um mínimo de inglês, para viajarem pelo mundo. Quanto ao português, é de se esperar que alguém que pretenda viajar ao Brsil se interesse por aprender algumas palavras na nossa querida língua, mas temos 2 bons motivos para aprendermos idiomas estrangeiros: 1º) português é um idioma difícil e complexo; 2º) receber um visitante falando seu idioma é uma gentileza muito agradável, que mostra que eles são bem-vindos. Aproveitando a questão da gentileza, faço um parênteses: imagino que serão brasileiros a grande parte dos turistas que virão a Brasília e que, durante os jogos da copa, estarão por aqui. Mesmo assim, enfocar a questão dos idiomas estrangeiros nos prepara, de forma privilegiada, para recebermos bem qualquer pessoa, colocando a cordialidade e a gentileza em primeiro plano, o que para o comércio é basilar para garantir boas vendas.
Voltando a falar de aprender outras línguas, ¿como habilitar as diversas categorias profissionais que atenderão aos estrangeiros? Apesar de 5 anos e meio ser um tempo razoável, há que se juntar esforços e começar-se logo. Quais serão essas categorias profissionais? A princípio: vendedores, lojistas, telefonistas, taxistas, hoteleiros e atendentes em bares e restaurantes. Há necessidade de aprender outros idiomas, além de espanhol e inglês? Imagino que sim, na medida em que Brasília poderá receber turistas japoneses, franceses, russos, coreanos e italianos, dentre muitos outros cujas línguas-maternas não são nem espanhol, nem inglês**. A fase eliminatória tem 4 seleções, mas se Brasília estiver bem preparada, pode também ser palco de quartas-de-final e semi-final. Porém, vamos pensar inicialmente no treinamento em espanhol e inglês, os quaise seria desejável que, em 5 anos e meio de estudo contínuo, os trabalhadores brasilienses estivessem dominando em nível bastante bom; por que não?
Fazendo outro parênteses, tenho um amigo que mora em Florianópolis que percebeu a oportunidade/necessidade de aquela maravilhosa cidade tornar-se ponto de referência nos cruzeiros marítimos e idealizou o projeto de um porto turístico: www.portoturistico.com.br. No caso de Brasília, já tempos toda a estrutura de serviços ao turista que para cá veem regularmente, montada e funcionando: hotéis, restaurantes, bares, táxis, linhas de ônibus e aéreas. Basta nos prepararmos para receberos, nas semanas em que se realizarão a Copa do Mundo de Futebol, em junho de 2014, um manior número de turistas, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Além disso, aprender línguas estrangeiras em bom nível será um patrimônio para cada indivíduo, profissionalmente, que só o engrandecerá. Ah!, outro problema! Os cardápios de bares, restaurantes e serviços de quarto (em hotéis) necessitarão de tradução em bom nível! A título de ilustração, a realização dos jogos olímpicos de Beijing, na China, expôs a fraqueza de um país que só recentemente se abre para o exterior, apesar do pesado investimento feito em educação, há décadas: os traxistas e também trabalhadores em hotéis e restaurantes não falavam, em sua maioria, inglês e as placas indicativas tanto na rua quanto nos prédios foram adaptadas às pressas com um misto incompreensível de chinês e inglês, o que ganhou o apelido de "chinenglish".
E em Brasília, será que poderemos fazer certo? Como fazer? Bem, o planejamento de uma tarefa dessa magnitude precisa ser muito bem elaborado e necessita de dados amplos e precisos, justamente porque a tarefa a ser enfrentada envolve muitas áreas, grande número de pessoas e demandará a conscientização de profissionais de diversas áres para se engajarem com afinco no processo de aprendizagem. Porém, além de um bom planejamento e de uma discussão ampla de todos os envolvidos, é importante que se busque (e encontremos!) soluções criativas para o proelbma maior e também os menores ao seu redor. Pois uma idéia que tenho para mobilizar a população de Brasília é o trabalho voluntário. Em um primeiro momeno, pessoas que tenham treinamento para ensinar espanhol, inglês ou outra língua estrangeira, mas pouca ou nenhuma experiência em sala de aula, que se voluntariem para ensinar o básico de cada idioma em sindicatos, associações de classe e agências governamentais de recolocação de trabalhadores desempregados, esses voluntários ajudaria nesse "pontapé inicial" de criar um solo fértil de interessemotivameção para aprenderestudar. Em um segundo momento, quando se quiser ensinar em nível mais elevado, será muito importante o envolvimento de profissionais treinados e gabaritados, a fim de que não persistam erros básicos e que o interesse/motivação inicial sejam trabalhados no rumo da proficiência e do bem atender à clientela.
Para ambos os momentos, é da maior relevância alertar aos profissionais das diversas categorias profissionais envolvidas de que o auto-didatismo é ferramenta básica e de que para se aprender uma língua estrangeira, além do professor, deve-se buscar por conta própria outras fontes de estudo: dicionários (em bibliotecas públicas), filmes na TV, contato com estrangeiros, etc. Para explorar uma das oportunidades de se praticar o inglês, muitos aparelhos de TV contam, hoje em dia, com as teclas SAP (second audio play) e CC (close caption) e alguns filmes e desenhos animados são transmitidos com o áudio original (a maioria em inglês). Assim, é possível acompanhar esses filmes com o áudio em inglês e "legendas" em português, ajudando a acostumar o ouvido. Voltando a falar de planejamento e de como as coluções devem ser criativas, com um grande número de pessoas estudando línguas estrangeiras, as bibliotecas públicas em Brasília necessitarão reforçar os seus exemplares de dicionários, tanto em quantidade quanto em qualidade. Um bom dicionário, além de ter um grande número de verbetes, tem também a representação fonética dos vocábulos. Isso deverá ser um esforço dos governos, tanto na esfera federal quanto distrital.
Falando também do esforço por nós todos, independentemente do governo, o voluntariado é a melhor resposta. Some-se a isso o envolvimento, bastante desejável, das instituições de ensino/escolas de idiomas em Brasília, que poderão dar uma contribuição significativa, senão vejamos: na 2ª fase que mencionei, as instituições de ensino/escolas de idiomas poderiam ofertar vagas com preços muito baixos aos sindicatos, associações e aos também diretamente aos profissionais (comerciários, taxistas, telefonistas, etc), o que, pela demanda que teriam, resultaria em ganhos de escala. Também deslocar professores para ministrar aulas nas sedes daquelas entidades, com menores custos por conta da economia de instalações/recursos. Além disso, para as instituições de ensino/escolas de idiomas que formam professores, os alunos em seus cursos de treinamento poderiam ser estimulados a fazer sua primeira experiência em sala de aula nesse esforço, por pelo menos um semestre, de difundir a língua estrangeira, a fim de preparar os trabalhadores em Brasília.
Vamos lá !